Nossa história

Estudos em Linguagem e Transculturalidade: plurilinguismo, educação e letramentos

Conheça nossa história e compreenda a jornada que moldou nossa identidade.

Origens inspiradoras

Origens inspiradoras

O Grupo de Estudos em Linguagem e Transculturalidade — GELT — tem suas origens nas ações acadêmicas, formativas e extensionistas desenvolvidas, a partir de 2018, pelas professoras Edilaine Buin e Thayse Figueira Guimarães, docentes da Faculdade de Comunicação, Artes e Letras da Universidade Federal da Grande Dourados. A aproximação entre as duas pesquisadoras ocorreu no contexto da área de Linguística Aplicada da UFGD. A professora Edilaine Buin, vinculada à universidade desde 2012, trazia uma trajetória de estudos sobre aquisição da escrita, práticas de letramento e formação de professores. Em 2018, com a chegada da professora Thayse Figueira Guimarães à UFGD, cuja trajetória acadêmica se vinculava aos estudos sobre identidade, linguagem e letramentos, abriu-se um campo fértil de diálogo entre pesquisas que, embora partissem de percursos distintos, encontravam-se em uma preocupação comum: compreender as práticas de linguagem em sua relação com os sujeitos, os contextos sociais e os modos de participação na vida escolar e acadêmica. A localização da UFGD em uma região marcada pela proximidade com o Paraguai, pela presença histórica dos povos indígenas Guarani, Kaiowá e Terena, pelos fluxos migratórios e pelas intensas circulações linguísticas da fronteira sul-americana contribuiu para ampliar o escopo das reflexões do grupo. Desde seus primeiros trabalhos, o GELT passou a compreender a educação linguística como um campo atravessado por múltiplas línguas, culturas e formas de pertencimento, voltando-se progressivamente para o estudo do plurilinguismo, das políticas linguísticas e das práticas educativas em contextos de fronteira. Esse encontro ocorreu em um momento especialmente desafiador para Dourados-MS. Com a intensificação dos fluxos migratórios, sobretudo de famílias venezuelanas, as escolas públicas do município passaram a receber estudantes que não tinham o português como língua de uso cotidiano. A presença desses alunos evidenciou uma demanda urgente: pensar práticas pedagógicas capazes de responder à realidade multilíngue e transcultural que se apresentava nas salas de aula. Foi nesse contexto que, no âmbito do PET-Letras, então sob tutoria da professora Edilaine, e das disciplinas de Estágio Supervisionado ministradas pela professora Thayse, as duas docentes se depararam com uma demanda concreta das escolas: a necessidade de orientação para o trabalho com estudantes imigrantes e multilíngues. Movidas por essa realidade e pelo desejo de contribuir com a formação docente e com a educação pública, as professoras passaram a desenvolver ações conjuntas que dariam origem ao GELT.

Os primeiros passos

Os primeiros passos

A primeira ação conjunta que marca a trajetória do GELT foi o curso de extensão "Aquisição da Escrita: questões de fonologia e letramentos", realizado em 2018, que teve como participantes acadêmicos e professores do ensino básico. Na sequência, ainda envolvidas pelas questões mobilizadas no curso de extensão, as professoras Edilaine Buin e Thayse Figueira Guimarães produziram sua primeira publicação em coautoria: o capítulo “Capturas do processo de escrita: do grafocentrismo para a consideração da metapragmática da língua em uso”. O texto foi o primeiro entre vários que as professoras já construíram conjuntamente - alguns, agregando outras parcerias. Em 2019, o GELT foi oficialmente constituído como grupo de pesquisa, reunindo inicialmente as professoras fundadoras e seus orientandos. Com o passar do tempo, o grupo ampliou sua atuação, agregando estudantes, pesquisadores e docentes de outras instituições, sempre em torno de temas como linguagem, transculturalidade, práticas de letramento, translinguagem, formação de professores, políticas linguísticas, educação em contextos multilíngues, plurilinguismo, mobilidades e educação em regiões de fronteira. Desde sua origem, portanto, o GELT se constituiu como um espaço de pesquisa, formação e intervenção comprometido com os desafios linguísticos, culturais e educacionais de regiões marcadas pela mobilidade humana, pela diversidade de repertórios linguísticos e culturais e pelos desafios da educação em territórios de fronteira, buscando construir práticas educativas mais sensíveis às realidades dos sujeitos que nelas circulam.

Compromisso  com a profundidade

Compromisso com a profundidade

Desde suas primeiras ações, o GELT assumiu que as demandas surgidas nas escolas de Dourados-MS exigiam mais do que respostas pontuais. A presença de estudantes imigrantes, multilíngues e atravessados por diferentes experiências culturais colocou em evidência questões relacionadas à linguagem, à escola, às políticas linguísticas, à mobilidade humana, às dinâmicas de fronteira e à formação docente. Nesse contexto, o grupo foi se constituindo como um espaço de estudo sistemático, produção de conhecimento e intervenção social, articulando pesquisa, extensão, formação de professores e participação em debates científicos em diferentes escalas. A partir das experiências vivenciadas nas escolas, o GELT passou a desenvolver investigações que dialogam com desafios contemporâneos da educação linguística em contextos de diversidade cultural e linguística, ampliando gradativamente sua inserção acadêmica e institucional. Esse compromisso também atravessou a trajetória formativa das professoras fundadoras do grupo. Edilaine Buin realizou estágio pós-doutoral em Políticas Linguísticas na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), experiência que fortaleceu a inserção do GELT em redes nacionais e internacionais de pesquisa voltadas ao multilinguismo, à educação linguística e às políticas de linguagem. Como desdobramento desse percurso, o grupo passou a integrar a Cátedra UNESCO de Políticas Linguísticas para o Multilinguismo, ampliando sua participação em espaços de discussão e cooperação acadêmica dedicados à promoção da diversidade linguística e cultural. Por sua vez, Thayse Figueira Guimarães desenvolveu estágio pós-doutoral na Universidade de Aveiro (Portugal), investigando políticas linguísticas e as representações das línguas e da interculturalidade no âmbito do Projeto Escolas Bilíngues e Interculturais de Fronteira (PEBIF) em escolas de Portugal e Espanha. Essa experiência ampliou o diálogo do grupo com pesquisas internacionais sobre educação linguística de fronteira, intercompreensão, políticas linguísticas educacionais e formação de professores para contextos multilíngues, consolidando a vocação internacional do GELT e fortalecendo suas parcerias acadêmicas transnacionais. A atuação do GELT consolidou-se também por meio da participação em eventos científicos nacionais e internacionais, como o MIGRAFRON e diversos encontros acadêmicos realizados no Brasil e no exterior, incluindo atividades na Universidad Complutense de Madrid, na Espanha. Essas experiências ampliaram o intercâmbio com pesquisadores de diferentes instituições e fortaleceram a inserção do grupo em redes de pesquisa voltadas às relações entre linguagem, educação, fronteiras, mobilidades e políticas linguísticas. Assim, o GELT se afirma como um grupo que parte de uma realidade local, mas não se limita a ela. Sua trajetória demonstra que compreender práticas de linguagem em contextos multilíngues e transculturais exige escuta atenta das escolas, rigor acadêmico, circulação científica e compromisso permanente com a complexidade dos sujeitos, das línguas e dos territórios.

Colaboração e crescimento

Colaboração e crescimento

O crescimento do GELT não se mede apenas pelo número de integrantes, mas pelo amadurecimento de uma forma coletiva de trabalhar. Desde sua oficialização, em 2019, o grupo se constituiu como espaço de formação humana e intelectual, reunindo professoras, estudantes de iniciação científica, orientandos de mestrado e, a partir de 2025, doutorandos da FALE. A colaboração está no centro da identidade do grupo. Por meio de reuniões periódicas, estudos sistemáticos, discussão de dados, planejamento de ações formativas e debates sobre pesquisas em andamento, docentes e discentes compartilham leituras, hipóteses e percursos investigativos. As escolas públicas também ocupam lugar fundamental nessa trajetória. Mais do que campos de pesquisa, são espaços participantes, que ajudam a formular perguntas, rever processos e indicar novos caminhos. Muitos professores da educação básica, inclusive egressos da UFGD, tornaram-se parceiros e interlocutores importantes das ações do grupo. Ao longo dos anos, o GELT cresceu por meio de projetos de extensão, orientações acadêmicas e parcerias com pesquisadores de outras instituições. A filiação à Cátedra UNESCO de Políticas Linguísticas e a criação, em 2024, do Laboratório vinculado ao Núcleo Estratégico de Estudos de Fronteira (NEEF) expressam esse movimento de consolidação e formação de rede. O trabalho em equipe e em rede no GELT é, muitas vezes, desafiador. O grupo tem aprendido a conviver com as diferenças e a reconhecer que o trabalho em comunhão produz resultados mais consistentes, promissores e abrangentes.

Caminhos em construção - 1

Caminhos em construção

Os caminhos do GELT seguem sendo construídos a partir da escuta que marcou sua origem: a atenção às demandas sociais, educacionais e linguísticas dos territórios em que atua. Nascido do encontro entre universidade, escola pública, mobilidade humana e práticas de linguagem, o grupo tem ampliado progressivamente suas frentes de pesquisa sem perder o vínculo com os contextos concretos que mobilizam suas investigações. Nos últimos anos, o GELT vem consolidando uma agenda de estudos voltada às políticas linguísticas, ao plurilinguismo e à educação em contextos de fronteira. As experiências desenvolvidas em escolas públicas de Mato Grosso do Sul, associadas às pesquisas realizadas em contextos fronteiriços da Europa e da América Latina, têm contribuído para a construção de um campo de investigação centrado nas relações entre línguas, mobilidades, interculturalidade e justiça social. Nesse percurso, destacam-se os estudos sobre educação linguística em escolas de fronteira, educação bilíngue e intercultural, repertórios plurilíngues, translinguagem, formação de professores e etnografia das políticas linguísticas. Particular atenção tem sido dedicada à compreensão de como práticas educativas, políticas institucionais e ideologias linguísticas são produzidas e negociadas em territórios marcados pela circulação de pessoas, línguas e culturas. Paralelamente, o grupo tem ampliado seu olhar para os contextos universitários de fronteira. A partir de pesquisas desenvolvidas na Universidade Federal da Grande Dourados e em diálogo com instituições nacionais e internacionais, o GELT investiga os desafios e as potencialidades da gestão da diversidade linguística em universidades situadas em regiões de intensa mobilidade transfronteiriça. Temas como internacionalização, acolhimento de estudantes migrantes e refugiados, políticas linguísticas institucionais, regimes de multilinguismo, governança linguística e inclusão de línguas indígenas e de imigração passaram a integrar de forma crescente sua agenda de pesquisa. A vinculação ao Núcleo Estratégico de Estudos de Fronteira (NEEF), à Cátedra UNESCO de Políticas Linguísticas para o Multilinguismo e a participação em redes nacionais e internacionais de pesquisa expressam esse movimento de expansão e cooperação. Paralelamente, o grupo tem incorporado novas agendas de investigação relacionadas à inteligência artificial, ao letramento algorítmico e aos impactos das tecnologias digitais nos processos de ensino, aprendizagem e formação docente, buscando articulá-las às questões éticas, linguísticas e interculturais que historicamente orientam sua atuação. Nesse contexto, destaca-se o projeto “A IA no Ensino de Leitura, Escrita e Formação de Professores” (IALEF), financiado pelo CNPq, por meio do qual o GELT amplia suas reflexões sobre autoria, mediação docente, produção textual, aprendizagem e uso crítico e ético das tecnologias digitais em contextos educacionais. Para o GELT, construir caminhos significa fortalecer redes, formar novos pesquisadores, produzir conhecimento socialmente relevante e contribuir para a construção de práticas educacionais mais inclusivas, plurilíngues e sensíveis à diversidade dos sujeitos, das línguas e dos territórios.

Conheça a equipe

Edilaine Buin
Edilaine Buin
Professora UFGD - vice-líder do grupo
Thayse Figueira Guimarães
Thayse Figueira Guimarães
Professora UFGD - líder do grupo
Jorge Luiz Nunes dos Santos Junior
Jorge Luiz Nunes dos Santos Junior
Professor UEMS
Yuri Santana Lira
Yuri Santana Lira
Graduando
Julia Juliotti
Julia Juliotti
Professora concursada na Rede Estadual - Dourados/MS
Rosana Iriani Daza de Garcia
Rosana Iriani Daza de Garcia
Professora UEMS
Manuel Salvador Colina Lovera
Manuel Salvador Colina Lovera
Mestrando
Vanessa Maciel Franco Magalhães
Vanessa Maciel Franco Magalhães
Doutoranda
Vitoria Campos Belo Bueno Dos Reis
Vitoria Campos Belo Bueno Dos Reis
Professora Rede Estadual em Caarapó/MS
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