
Projeto Mala dos Saberes
O projeto de extensão “Mala dos Sabres Deslocados”, desenvolvido no âmbito do programa de pós-graduação da UFGD, em parceria com a Cátedra Sérgio Vieira de Mello (CSVM), o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) e o Grupo de Estudos de Linguagem e Transculturalidade (GELT/UFGD), surgiu em razão das demandas das escolas públicas de Dourados diante do crescente fluxo migratório na região e da consequente presença de um ambiente escolar plurilíngue e multicultural.
Assim, a iniciativa da Mala dos Sabres Deslocados emerge como uma estratégia de intervenção que teve como objetivo central não apenas incentivar a escola na construção de propostas pedagógicas ao plurilinguismo e à interculturalidade em sala de aula, mas também promover a inclusão social e educacional de estudantes em contextos de migração e refúgio, reconhecendo suas identidades, histórias e saberes como parte constitutiva da comunidade escolar, buscando construir um espaço educacional mais acolhedor e plural.
Coordenado pelo professor Hermes Moreira Junior, Thayse Figueira Guimarães e Edilaine Buin, e desenvolvido com a participação de estudantes pós-graduandos e graduandos dos cursos de Letras, Psicologia e Relações Internacionais, docentes e a equipe escolar, o projeto estruturou-se em torno de uma mala composta por quinze obras literárias infanto juvenis que narram histórias de deslocamento forçado, utilizada como recurso pedagógico para estimular reflexão crítica sobre a diversidade cultural, direitos humanos e processos migratórios.
As atividades foram realizadas na Escola Estadual Menodora Fialho de Figueiredo, em Dourados-MS, entre 12 e 16 de agosto de 2024, articulando atividades de leitura literária, debates sobre migrações, rodas de conversa com protagonismo de estudantes migrantes da UFGD, análise e estudo sobre a paisagem linguística da escola, produção de intervenção visual e mural com as línguas presentes na escola sob a perspectiva dos alunos. Metodologicamente, a proposta integrou dimensões conceituais (migrações internacionais, direitos humanos, diversidade cultural), metodológicas (oficinas, análise crítica da paisagem linguística) e técnico-instrumental (práticas de intervenção visual, como a criação do mural colaborativo, e elaboração de materiais pedagógicos), estabelecendo um diálogo entre universidade e a comunidade escolar.
De modo geral, ao atender uma necessidade concreta da escola frente ao contexto migratório e ao desafio do plurilinguismo em sala de aula, o projeto de extensão consolidou-se como uma experiência formativa, alinhada à portaria CAPES/SESU nº1/2023, que incentiva a interface entre pesquisa e extensão, e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, especialmente aqueles voltados à educação de qualidade e à redução das desigualdades.
