Do monolinguismo ao multilinguismo de acolhimento
- 21/03/2025
- Gilvan Müller de Oliveira e Edilaine Buin
Resumo
Este artigo tem como objetivo discutir a necessidade de uma mudança nas políticas linguísticas e nas práticas educacionais no Brasil, promovendo a valorização do multilinguismo e da diversidade linguística, especialmente em contextos escolares que atendem a imigrantes e refugiados. A pesquisa explora a transição de uma política linguística monolíngue para uma abordagem que reconheça e valorize a diversidade linguística, por meio de uma experiência educacional em uma escola da rede pública na cidade de Dourados, Mato Grosso do Sul. O contexto educacional é desafiador, pois a salas de aula, que já contavam com estudantes indígenas falantes de guarani, agora recebem um número crescente de imigrantes e refugiados, como venezuelanos e haitianos, que não dominam o português. A fundamentação teórica aborda a repressão linguística e a necessidade de reconhecer a diversidade linguística como um recurso valioso. A metodologia adotada é qualitativa, baseada em relatos de acadêmicos da licenciatura em Letras e de Psicologia que participaram do projeto de extensão universitária “Solidariedade Linguística”, que previa o acompanhamento de aulas do ensino fundamental com estudantes de diferentes línguas, durante um semestre letivo. A partir de relatos selecionados qualitativamente, o artigo busca (1) compartilhar situações frequentemente não discutidas que envolvem o bi/multi/plurilinguismo; (2) problematizar as urgências nesse contexto educacional, que é representativo de outros cenários; e (3) promover uma reflexão que inspire movimentos políticos em favor dos direitos da comunidade afetada pela dinâmica do monolinguismo. Os resultados evidenciam a viabilidade e a urgência de implementar mudanças no modelo de ensino, promovendo um ambiente educacional mais inclusivo e solidário, alinhado às necessidades de um mundo globalizado.